Cesar & Afonso

Cesar & Afonso
Nóiz no Som da Viola

sábado, 28 de agosto de 2010

Homem até debaixo d'água

Um caboclinho de sangue na veia
Vergonha na cara e bastante opinião.
A filha mais nova um de fazendeiro
Ele namorava com boa intenção.
O velho cismou de impedir o romance
E num gesto severo chamou atenção.
Você não passa de um pé rapado
Levar minha filha não dou permissão.
Minha filha nasceu no conforto,
Você não tem onde cair morto
Nunca passa de um pobre peão.

O pobre rapaz escutava calado
Igual um aluno aprendendo a lição.
No outro dia fugiu com a menina
Os dois foram viver nos confins do sertão.
Ombro a ombro eles trabalhavam
E a noite dormiam num velho galpão.
A menina dormia na cama
E o caboclinho dormia no chão.
Foi a primeira vez na história,
Que uma rolinha teve glória
Ser protegida por um gavião.

O caboclinho de fibra e talento
Enfrentando o garimpo trabalho cruel.
Sol a sol a procura do ouro
Sem ver pela frente o azul do céu.
Respeitando a menina que amava
O caboclo fez um bonito papel.
Tão pertinho da fonte do amor
Morrendo de sede por ser tão fiel.
Ele foi um gavião sem asa,
Com a menina dentro de casa
Bem distante da lua de mel.

De volta pra casa do velho
Disse o caboclinho sem temer castigo.
Roubei sua filha com boa intenção
Pra cumprir meu dever voltei como amigo.
Que é do homem o bicho não come
Sua filha nasceu pra se casar comigo.
Já não sou mais um pé de chinelo
Posso dar pra ela o melhor dos abrigo.
Dois anos a luta foi dura,
Mais ela voltou virgem e pura
Do meu lado não correu perigo.

O velho muito arrependido
Abraçou sua filha pedindo perdão.
Pro mocinho ele foi dizendo
Entre eu e você acabou o paredão.
Seu talento e moral foi flecha
Que fez meu orgulho tombar sobre o chão.
Minha filha vai ser a rainha
Lá no seu castelo em eterna união.
De você já não tenho mágoa,
Foi homem até debaixo d'água
Vai ser o genro do meu coração.

Baianinho (composição indisponível)

Conheci um baianinho esses da fala macia,
Dava nó em pingo d'água e laçava melancia
Pegava raio na mão segurava ventania
O seu corpo foi fechado num terreiro da Bahia

Caldo de cana gostoso é o que sai da cana roxa
O malandro não tem culpa se o resto do mundo é trouxa.

Chegou na cidade grande baianinho se expandia
Foi comprando carro zero pra pagar em noventa dias
Conseguiu vender a vista mostrando sabedoria
Virou grande negociante baianinho enriquecia

Caldo de cana gostoso é o que sai da cana roxa
O malandro não tem culpa se o resto do mundo é trouxa.
Baianinho na tourada só toureia vaca mocha
No natal compra castanha come a boa e vende a chocha
No banquete que tem frango baianinho come a coxa
Deixa o pé deixa o pescoço pra aqueles que nasceu trouxa

Caldo de cana gostoso é o que sai da cana roxa
O malandro não tem culpa se o resto do mundo é trouxa.

Foi contra um campeão de snooke baianinho fez surpresa
Deu duzentos de lambuja só seis e sete na mesa
Deu trinta snooke de bico jogando só na defesa
Meteu o sete trinta vezes ganhou o jogo na moleza

Caldo de cana gostoso é o que sai da cana roxa
O malandro não tem culpa se o resto do mundo é trouxa.

O Mesmo Castigo (Tião Carreiro & Praiano)

O Destino fez de nós
duas vítimas do amor,
Eu não sei onde ela está...
Ela não sabe onde eu estou,
O Destino fez comigo,
o mesmo que fez com ela;
Nos deu "O Mesmo Castigo":
Pois outra mulher comigo,
E outro homem com ela!

Ôôôôô...Destino ingrato,
Foi cruel de fato
,Não foi meu amigo...
Porque a luz dos meus passos,
Dorme em outros braços,
Sonhando comigo!

Sei que ela também sofre...
Por que me ama demais.
Vivendo ao lado de outro,
não pode viver em Paz.
O mesmo se dá comigo,
Da mesma sorte reclamo:
Eu sofro a mesma saudade,
distante de quem eu amo;
Não tenho felicidade!
Ôôôôôô...Destino ingrato,
Foi cruel de fato,
Não foi meu amigo...
Porque a luz dos meus passos,
Dorme em outros braços,
Sonhando comigo!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Comitiva Esperança (Composição Indisponível)

Nossa viagem
Não é ligeira
Ninguém tem pressa
De chegar

A nossa estrada
É boiadeiraNão interessa
Onde vai dar

Onde a comitiva
esperança
Chega já começa a festança
Através do Rio Negro
Nhecolândia e Paiaguás
Vai descendo o Piquiri,
São LourençoE o Paraguai

Tá de passagem
Abre a porteira
Conforme for
Pra pernoitar
Se é gente boa
Hospitaleira
A comitiva vai tocar

Moda ligeira
Que é uma doideira
Assanha o povoE faz dançar
Ou moda lentaQue faz sonhar

Onde a comitiva esperança
Chega já começa a festança
Através do Rio Negro
Nhecolândia e Paiaguás
Vai descendo o Piquiri,
São LourençoE o Paraguai

Ê, tempo bom que tava por lá
Nem vontade de regressar
Só vortemo
Eu vou confessar
É que as águas chegavam em janeiro
Descolamos um barco ligeiro
Fomos pra Corumbá.

Em Tempo de Avanço (Tião Carreiro & Pardinho)

O destino aqui me trouxe
Cantar pra vocês eu vou
Eu só trouxe coisa boa
Foi meu sertão quem mandou

No lugar que tem tristeza
Eu vou levar alegria
Vou levar sinceridade
Onde existe hipocrisia

No lugar que tem mentira
Eu vou levar a verdade
Vou levar amor sincero
Onde existe falsidade
Quando eu daqui sair
Vocês vão sentir saudade...

A terra hoje balança
Vou aguentar o balanço
Quem espera sempre alcança
Eu espero e nao me canso
Cantando a gente avança
Para depois ter descanso
Cheguei trazendo esperança
Cantando em tempo de avanço

Vou soltar o inocente
Não tem culpa quem prendeu
Vou castigar quem matou
Vou rezar pra quem morreu

Vou defender quem apanha
Batendo em quem bateu
Vou tomar de quem roubou
Tirando o que não é seu

Vou jogar com quem ganhou
Vou ganhar pra quem perdeu
E para quem não tem nada
Vou dar o que Deus me deuS
e eu der tudo o que eu tenho
Não acaba o que é meu

A terra hoje balança
Vou aguentar o balanço
Quem espera sempre alcança
Eu espero e não me canso
Cantando a gente avança
Para depois ter descanso
Cheguei trazendo esperança
Cantando em tempo de avanço...

No som da Viola (Tião Carreiro & Pardinho)

É hoje que a terra treme
É hoje que a pedra rola
Esse é o som da minha terra
Cheguei no som da viola

Não sei se vim pra ensinar
Ou se vim para aprender
Eu sou pimenta nos olhos
Daqueles que não querem ver

Quem bateu tem que apanhar
Quem matou tem que morrer
Covarde morre gritando
O valente sem gemer

É hoje que a terra treme
É hoje que a pedra rola
Esse é som da minha terra
Cheguei no som da viola...

Sem sangue não tem chouriço
Sem luta não tem vitória
É preciso muita garra
Pra subir os degraus da glória

Como farofa de areia
Dou a mão a palmatória
Se um dia eu ver um covarde
Que fez bonito na história

É hoje que a terra treme
É hoje que a pedra rola
Esse é som da minha terra
Cheguei no som da viola...

Urutu de cruz na testa
Vê a morte mas não corre
Vai de encontro com o fogo
Dando bote ele morre

Homem que apanha calado
Ele pra mim não nasceu
Homem que tombou na luta

É um herói que não morreu...
É hoje que a terra treme
É hoje que a pedra rola
Esse é som da minha terra
Cheguei no som da viola...