Cesar & Afonso

Cesar & Afonso
Nóiz no Som da Viola

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dever de um Médico (Tião Carreiro e Pardinho)

Minha casa é de caboclo mas mora a felicidade
Encontrei a preferida rainha da minha vida
Com ela eu sou tão feliz, assim o destinho quis
No jardim do nosso amor nasceu uma linda flor
Com cinco anos somente menina ficou doente
Sofrendo uma grande dor....
Em altas horas da noite...
Mandei chamar o doutor...

Eu mandei meu camarada lá em sua residência
De volta o rapaz dizia que atender-me não podia
Eu fiquei desesperado, mandei de volta o empregado
Virou nos pés do cavalo dava trovões e estalos
Mas trouxe o doutor consigo tirando a do perigo
Convidei pra pernoitar...
Me disse que tinha pressa...
Necessitava voltar...

Vendo minha filha salva, fui com ele até sua casa
Vi tanta gente só vendo, dia estava amanhecendo
Eu disse a ele contentem senhor tem muitos clientes
Não é verdade doutor, vi nele profunda dor
Suas lagrimas brotou, sem resposta me deixou
Fiquei suspenso no ar...
Pôs a mão nas minhas costas...
Me convidou pra chegar...

Quanto entrei em sua casa que passei a compreender
Triste surpresa eu tive, quando vi não me contive
Enquanto o doutor sofria, tinha perdido uma filha
Quantos pêsames lhe dei, franqueza, também chorei
O doutor me agradeceu e depois me respondeu...
O quê que vamos fazer...
Eu fui salvar sua filha...
Para cumprir meu dever...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Poder do Criador (Goiano & Paranaense)

Hora triste foi aquela
Que Jesus Cristo falou
Mãe está chegando a hora
A senhora fica e eu vou

Com certeza mãe e filho
Neste momento chorou
Hora triste e dolorida
Porque a dor da despedida
Só conhece quem passou

Maria disse meu filho
Faz tudo que o Pai mandou
pra salvar a humanidade
Ele lhe determinou

Com as lágrimas caindo
O seu rosto ele beijou
Pra cumprir a profecia
Naquele instante o Messias
Todo pecado abraçou

Nas margens do rio Jordão
Jesus Cristo caminhou
Para encontrar João
Aquele que testemunhou

O encontro foi tão lindo
Que o povo se emocoinou
Também foi nessa visita
Que nas mãos de João Batista
Jesus Cristo batizou

Na mesa da Santa Ceia
Jesus Cristo ordenou
Ensine os meus mandamentos
Que onde está meu Pai eu vou

Se o mundo lhes odiar
Também já me odiou
Faça o bem sem ver a quem
A sua reconpensa vem
É o que Jesus profetizou

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Amor e Saudade

Eu passei na sua terra, já era de madrugada
As luzes da sua rua estavam quase apagadas
Fiquei horas recordando a nossa vida passada
O tempo do nosso amor que se acabou tudo em nada

A sua casinha triste estava toda fechada
E no varal do alpendre umas roupas penduradas
Conheci no meio delas sua blusa amarelada
Aumentou minha saudade... Eiita vida amargurada

No tempo que nóis se amava eu fiz muita caminhada
Chegava na sua casa mesmo sendo hora avançada
Você de casaco preto vinha toda enamorada
Ali nós dois se abraçava sem que ninguém visse nada

Mas no mundo tudo passa a sorte é predestinada
Você se casou com outro e eu segui minha jornada
Deixei você me ascenando lá na curva da estrada
Adeus cabocla faceira... Rosa branca perfumada...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Olhos Claros

Já faz mais de doze anos
Que fui preso e estou pagando
Por um crime que eu cometi
Olhos verdes com ternura
Me levaram a loucura
E por isso estou aqui
Alguém vive lá de fora
Contando minuto e hora
Pra me ver em liberdade
Esse alguém não sei porque
Não quer mais me ver sofrer
E gosta de mim de verdade

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu

Domingo no mesmo horário
Um homem de olhos claros
Veio aqui me visitar
De gravata e barba feita
Traz em sua face perfeita
Esperança no olhar
Como se fosse um amigo
Ele fica aqui comigo
E me faz bem vê-lo ficar
Uma hora me olhando
Com os olhos lacrimejando
Diz que vai me libertar

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu

Um dia no mesmo horário
O homem de olhos claros
Novamente apareceu
Disse eu vim pra te buscar
Você vai me acompanhar
Sou advogado seu
Minha mãe já me contou
Que um dia você matou
Só porque amou demais
Eu sou aquela criança
Seu filho sua esperança
Vim te libertar meu pai

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu

Hoje estou em liberdade
Mas confesso na verdade
Ainda continuo preso
Nas lembraças do passado
Ainda estou acorrentado
E aprisionado pelo medo
O homem de olhos claros
Que com pensamentos raros
Me tirou desta prisão
Tinha nos olhos um brilho
Este homem é o filho
Que eu pedi em oração

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Loira do Carro Branco (João Paulo & Daniel)

Viajando solitário mergulhado na tristeza
Numa curva da estrada eu tive uma surpresa
Uma loira encantadora, bonita por natureza
Me pediu uma carona eu atendi com despreza

Sentou bem pertinho de mim com muita delicadeza
O meu carro foi o trono, eu passei a ser o dono da rainha da beleza

Foi o dia mais feliz que meu coração sentiu
Mas meu mundo encantado de repente destruiu
Ao ver a loira tremendo, gemendo e suando frio
Parei o carro de pressa na travessia de um rio

Enquanto eu fui buscar a água que muito triste ela pediu
Eu ouvi cantar os pneus e ouvi dizer adeus... Com meu carro ela sumiu

Somente um bilhetinho na estrada encontrei
Quando acabei de lerm confesso que me emocionei
No bilhete ela dizia "por você me apaixonei
Só peço que me perdoe o golpe que eu lhe dei

Para alimentar a esperança o carro eu levarei
Me perdoe por favor, quando eu tiver seu amor, o carro lhe entregarei

Quem estiver me ouvindo, preste muita atenção
O meu carro não tem placas, mas vou dar a descrição
É branco e tem uma loira charmosa na direção
Dou o carro de presente a quem fizer a prisão

Por ela ter roubado o carro já tem absolvição
Mas vou lhe dar um castigom vai ter que viver comigo por roubar meu coração

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Viúva Rica (Tião Carreiro/Edward de Marchi)

Fui caboclo do pesado, levei sempre vida dura
Já fiz serviço dobrado pelo óleo da fritura
De roer osso na vida gastei minha dentadura
De tanto apertar o conto calejei minha cintura
Não tem negócio da China pra se sair da pendura
Ou é a luta do mundo ou a paz da sepultura

Pra se viver do trabalho é demais a concorrência
É carteira pra carvalho e carta de referência
Quando mais ganha mais gasta na rabeira da carência
Trabalhar pra quem é pobre é gostar de penitência
O trabalho dá cansaço e suor de experiência
Trabalhar por trabalhar é relaxar a competência

De trabalhar ninguém morre nem de fome quem nao queira
Faça sol ou faça chuva mundo velho é sem porteira
O meu rosário de queixa eu joguei na corredeira
Qualquer barranco é o porto qualquer pedra é um cadeira
Deus me deu o lar do mundo e a saúde com esteira
Minha mãe me deu a luz e a vida sem canseira

No meu sistema de vida muita gente me critica
O futuro é a morte pra semente ninguém fica
Três punhadinhos de terra numa cova nada explica
Da minha filosofia eu só vou dar uma dica
Eu não vou salvar o mundo dessa gente que complica
Nem morrer de trabalhar pra deixar viúva rica...