Cesar & Afonso

Cesar & Afonso
Nóiz no Som da Viola

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Rastros na Areia

O sonho que tive esta noite
Foi um exemplo de amor
Sonhei que na praia deserta
Eu caminhava com Nosso Senhor

Ao longo da praia deserta
Quis o senhor me mostrar
Cenas por mim esquecidas
De tudo que fiz nesta vida
Ele me fez recordar

Cenas das horas felizes
Que a mesa era farta na hora da ceia
Por onde eu havia passado
Ficaram dois pares de rastros na areia
Então o Senhor me falou
Em seus belos momentos passados
Para guiar os seus passos
Eu caminhava ao seu lado

Porém minha falta de fé
Tinha que aparecer
Quando passavam as cenas
Das horas mais tristes de todo meu ser

Então ao Senhor reclamei
Somente meu rastro ficou
Quando eu mais precisava
Quando eu sofri e chorava
O Senhor me abandonou

Naquele instante sagrado
Que ele me abraçou - me dizendo assim
Usei a coroa de espinhos
Morri numa cruz e duvidas de mim
Filho esses rastros são meus
Ouça o que vou lhe dizer
Nas suas horas de angustias
Eu carregava você

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dever de um Médico (Tião Carreiro e Pardinho)

Minha casa é de caboclo mas mora a felicidade
Encontrei a preferida rainha da minha vida
Com ela eu sou tão feliz, assim o destinho quis
No jardim do nosso amor nasceu uma linda flor
Com cinco anos somente menina ficou doente
Sofrendo uma grande dor....
Em altas horas da noite...
Mandei chamar o doutor...

Eu mandei meu camarada lá em sua residência
De volta o rapaz dizia que atender-me não podia
Eu fiquei desesperado, mandei de volta o empregado
Virou nos pés do cavalo dava trovões e estalos
Mas trouxe o doutor consigo tirando a do perigo
Convidei pra pernoitar...
Me disse que tinha pressa...
Necessitava voltar...

Vendo minha filha salva, fui com ele até sua casa
Vi tanta gente só vendo, dia estava amanhecendo
Eu disse a ele contentem senhor tem muitos clientes
Não é verdade doutor, vi nele profunda dor
Suas lagrimas brotou, sem resposta me deixou
Fiquei suspenso no ar...
Pôs a mão nas minhas costas...
Me convidou pra chegar...

Quanto entrei em sua casa que passei a compreender
Triste surpresa eu tive, quando vi não me contive
Enquanto o doutor sofria, tinha perdido uma filha
Quantos pêsames lhe dei, franqueza, também chorei
O doutor me agradeceu e depois me respondeu...
O quê que vamos fazer...
Eu fui salvar sua filha...
Para cumprir meu dever...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Poder do Criador (Goiano & Paranaense)

Hora triste foi aquela
Que Jesus Cristo falou
Mãe está chegando a hora
A senhora fica e eu vou

Com certeza mãe e filho
Neste momento chorou
Hora triste e dolorida
Porque a dor da despedida
Só conhece quem passou

Maria disse meu filho
Faz tudo que o Pai mandou
pra salvar a humanidade
Ele lhe determinou

Com as lágrimas caindo
O seu rosto ele beijou
Pra cumprir a profecia
Naquele instante o Messias
Todo pecado abraçou

Nas margens do rio Jordão
Jesus Cristo caminhou
Para encontrar João
Aquele que testemunhou

O encontro foi tão lindo
Que o povo se emocoinou
Também foi nessa visita
Que nas mãos de João Batista
Jesus Cristo batizou

Na mesa da Santa Ceia
Jesus Cristo ordenou
Ensine os meus mandamentos
Que onde está meu Pai eu vou

Se o mundo lhes odiar
Também já me odiou
Faça o bem sem ver a quem
A sua reconpensa vem
É o que Jesus profetizou

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Amor e Saudade

Eu passei na sua terra, já era de madrugada
As luzes da sua rua estavam quase apagadas
Fiquei horas recordando a nossa vida passada
O tempo do nosso amor que se acabou tudo em nada

A sua casinha triste estava toda fechada
E no varal do alpendre umas roupas penduradas
Conheci no meio delas sua blusa amarelada
Aumentou minha saudade... Eiita vida amargurada

No tempo que nóis se amava eu fiz muita caminhada
Chegava na sua casa mesmo sendo hora avançada
Você de casaco preto vinha toda enamorada
Ali nós dois se abraçava sem que ninguém visse nada

Mas no mundo tudo passa a sorte é predestinada
Você se casou com outro e eu segui minha jornada
Deixei você me ascenando lá na curva da estrada
Adeus cabocla faceira... Rosa branca perfumada...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Olhos Claros

Já faz mais de doze anos
Que fui preso e estou pagando
Por um crime que eu cometi
Olhos verdes com ternura
Me levaram a loucura
E por isso estou aqui
Alguém vive lá de fora
Contando minuto e hora
Pra me ver em liberdade
Esse alguém não sei porque
Não quer mais me ver sofrer
E gosta de mim de verdade

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu

Domingo no mesmo horário
Um homem de olhos claros
Veio aqui me visitar
De gravata e barba feita
Traz em sua face perfeita
Esperança no olhar
Como se fosse um amigo
Ele fica aqui comigo
E me faz bem vê-lo ficar
Uma hora me olhando
Com os olhos lacrimejando
Diz que vai me libertar

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu

Um dia no mesmo horário
O homem de olhos claros
Novamente apareceu
Disse eu vim pra te buscar
Você vai me acompanhar
Sou advogado seu
Minha mãe já me contou
Que um dia você matou
Só porque amou demais
Eu sou aquela criança
Seu filho sua esperança
Vim te libertar meu pai

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu

Hoje estou em liberdade
Mas confesso na verdade
Ainda continuo preso
Nas lembraças do passado
Ainda estou acorrentado
E aprisionado pelo medo
O homem de olhos claros
Que com pensamentos raros
Me tirou desta prisão
Tinha nos olhos um brilho
Este homem é o filho
Que eu pedi em oração

Deus ouviu minhas preces e me atendeu
Em graça e sabedoria criança cresceu...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A Loira do Carro Branco (João Paulo & Daniel)

Viajando solitário mergulhado na tristeza
Numa curva da estrada eu tive uma surpresa
Uma loira encantadora, bonita por natureza
Me pediu uma carona eu atendi com despreza

Sentou bem pertinho de mim com muita delicadeza
O meu carro foi o trono, eu passei a ser o dono da rainha da beleza

Foi o dia mais feliz que meu coração sentiu
Mas meu mundo encantado de repente destruiu
Ao ver a loira tremendo, gemendo e suando frio
Parei o carro de pressa na travessia de um rio

Enquanto eu fui buscar a água que muito triste ela pediu
Eu ouvi cantar os pneus e ouvi dizer adeus... Com meu carro ela sumiu

Somente um bilhetinho na estrada encontrei
Quando acabei de lerm confesso que me emocionei
No bilhete ela dizia "por você me apaixonei
Só peço que me perdoe o golpe que eu lhe dei

Para alimentar a esperança o carro eu levarei
Me perdoe por favor, quando eu tiver seu amor, o carro lhe entregarei

Quem estiver me ouvindo, preste muita atenção
O meu carro não tem placas, mas vou dar a descrição
É branco e tem uma loira charmosa na direção
Dou o carro de presente a quem fizer a prisão

Por ela ter roubado o carro já tem absolvição
Mas vou lhe dar um castigom vai ter que viver comigo por roubar meu coração

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Viúva Rica (Tião Carreiro/Edward de Marchi)

Fui caboclo do pesado, levei sempre vida dura
Já fiz serviço dobrado pelo óleo da fritura
De roer osso na vida gastei minha dentadura
De tanto apertar o conto calejei minha cintura
Não tem negócio da China pra se sair da pendura
Ou é a luta do mundo ou a paz da sepultura

Pra se viver do trabalho é demais a concorrência
É carteira pra carvalho e carta de referência
Quando mais ganha mais gasta na rabeira da carência
Trabalhar pra quem é pobre é gostar de penitência
O trabalho dá cansaço e suor de experiência
Trabalhar por trabalhar é relaxar a competência

De trabalhar ninguém morre nem de fome quem nao queira
Faça sol ou faça chuva mundo velho é sem porteira
O meu rosário de queixa eu joguei na corredeira
Qualquer barranco é o porto qualquer pedra é um cadeira
Deus me deu o lar do mundo e a saúde com esteira
Minha mãe me deu a luz e a vida sem canseira

No meu sistema de vida muita gente me critica
O futuro é a morte pra semente ninguém fica
Três punhadinhos de terra numa cova nada explica
Da minha filosofia eu só vou dar uma dica
Eu não vou salvar o mundo dessa gente que complica
Nem morrer de trabalhar pra deixar viúva rica...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mineiro de Monte Belo (Tião Carreiro e Pardinho)

Na beirada do telhado é morada do cuitelo
Sanhaço tem pena verde mora no pé de marmelo
No galho da laranjeira sabiá peito amarelo
No braço desta viola mineiro de monte belo
Quando entro no catira os meus pés são dois martelo

A onça mora no mato só sai pra pegar o bitelo
Os pés de moça bonita moram dentro do chinelo
O rei e a rainha mora dentro do castelo
Minha voz mora no peito por isso me acautelo
Eu não canto no sereno pela minha voz eu zelo

Casamento coisa boa dois unidos por um elo
Eu estou apaixonado só agora me revelo
Ela tem dois irmãos bravos que eu amanço e depois trelo
Amanhã eu levo ela antes meu cavalo eu celo
A viagem é perigosa eu arrisco e não cancelo

Cinturão cheio de bala levo faca e parabelo
Se eu perder no ferro frio pro pau de fogo eu apelo
Meus dedo não tem juízo no gatilho quando eu relo
Caboclo do sangue quente é na bala que eu gelo
Mineira vamos embora que eu venço qualquer duelo...

Boi Soberano (Carreirinho)






Me alembro e tenho saudade
Do tempo que vai ficando
Do tempo de boiadeiro
Que eu vivia viajando



Eu nunca tinha tristeza
Vivia sempre cantando
Mês em mês cortando estrada
No meu cavalo ruando



Sempre lidando com gado
Desde a idade de quinze anos
Não me esqueço de um transporte
Seissentos boi cuiabano
No meio tinha um boi preto
Por nome de Soberano

Na hora de despedida

O fazendeiro foi falando



Cuidado com este boi


Que nas guampas é liviano





Este boi é criminoso


Já me fez diversos danos


Toquemo pelas estradas


Naquilo sempre pensando





Na cidade de Barretos


Na hoda que eu fui chegando


A boiada estourou, ai...


Só via gente gritando


Foi mesmo uma tirania


Na frente ia o Soberano





O comércio da cidade


As portas foram fechando


Na rua tinha um menino


De certo estava brincando





Quando ele viu que morria


De susto foi desmaiando


Coitadinho, debruçou


Na frente do Soberano





O Soberano parou, ai...


Em cima ficou bufando


Rebatendo com o chifre


Os boi que vinha passando


Naquilo o pai da criança


De longe vinha gritando





Se este boi matar meu filho


Eu mato quem vai tocando


Quando viu seu filho vivo


E o boi por ele velando





Caiu de joelho por terra


E para Deus foi implorando


Salvai meu anjo da quarda


Desse momento tirano





Quando passou a boiada


O boi foi se arretirando


Veio o pai dessa criança


E comprou o Soberano


Este boi salvou meu filho


Ninguém mata o Soberano

Onde Foi Que Eu Errei

Fiquei te esperando sem poder dormir
Só pensando em quando e porque...
Ficou tudo assim... ficou tudo assim...
Pergunto e você não quer me responder
Pra evitar meu abraço você
Vira as costas pra mim... E vira as costas pra mim...

Se a rotina da vida fez o sonho acabar
Eu me sinto perdido sem entender nada
Vem me ajudar...
O silêncio é uma faca cortando o coração
De quem vê seu amor dissolvendo na mão
Me salve, eu não posso aceitar te perder
Sem saber a razão...

Onde foi que eu errei
O que foi que fiz
Eu preciso saber...
Não deixei de te amar
Não traí, não fingi
Não menti pra você...

Se amar é perder
Eu não quero te amar
E ficar sem você...